História, Cultura e Identidade
A Lixa foi elevada à categoria de cidade a 21 de junho de 1995, conforme publicado no Diário da República, após ter sido vila desde 20 de abril de 1933. Esta cidade integra o concelho de Felgueiras e localiza-se estrategicamente entre as cidades de Amarante e Felgueiras, numa área que faz a transição entre o Douro e o Minho. A Lixa é frequentemente apelidada de “Terra Verde”, refletindo a exuberância das suas paisagens naturais e a riqueza da sua agricultura.
Origem do nome
A origem do nome Lixa não é consensual; uma das explicações mais aceites sugere que poderá derivar de “Lisa”, mais concretamente da expressão Serra Lisa, referindo‑se a uma elevação de terreno plana que se estendia da Cerdeira das Ervas ao Alto da Lixa.
Fundamentos históricos e povoamento
Os primeiros aglomerados de habitação formaram-se em torno da atual Rua Velha, antes conhecida como Rua da Lixa, próximo da Capela de Santo António. Esta rua inicial cresceu para sul até ao Largo da Cruz — hoje designado Largo 1.º de Abril — local onde se cruzavam rotas importantes provenientes das terras de Basto, do litoral poente (Penafiel) e de regiões interiores, como Trás-os-Montes e Minho.
No final do século XIX, a construção da Estrada Real (hoje Estrada Nacional 15, que liga o Porto a Bragança) transformou a Lixa num centro rodoviário crucial do Norte, sendo também cruzada pela Estrada Nacional 101, que liga Valença a Mesão Frio. Estas vias facilitaram o desenvolvimento econômico, consolidando a Lixa como um polo estratégico para o comércio e as trocas agrícolas.
Atividades comerciais e expansão urbana
Na Rua Nova, que conduz ao lugar do Poeiro, estabeleceram-se estalagens para acolher viajantes e comerciantes que atravessavam a região, tornando a cidade um ponto de paragem essencial. Ao longo do tempo, a malha urbana expandiu-se da zona do Largo (atual centro da Lixa) até ao bairro do Ladário, apesar de hoje serem poucas as construções originais sobreviventes desse período.
A localização privilegiada atraiu pessoas oriundas das mais diversas regiões, que encontravam na Lixa o local ideal para desenvolver atividades comerciais e agrícolas.
Batalha do Ladário e devoção religiosa
Um dos episódios mais marcantes da história da Lixa aconteceu em 2 de abril de 1834, durante a Guerra Civil Portuguesa, com a batalha travada no Monte do Ladário entre as forças de D. Pedro IV e D. Miguel. Esta batalha causou muitos mortos, com sepultamentos diferenciados na igreja de Borba de Godim, conforme as preferências do clero local e da população. O apoio maioritário à causa de D. Miguel entre a população trouxe humilhações posteriores aos seus apoiantes.
Após a vitória liberal, o culto religioso da cidade passou a venerar Nossa Senhora das Vitórias, substituindo o anterior de Nossa Senhora de Aparecida. Esta invocação tornou-se símbolo e padroeira dos lixenses, celebrada numa capela junto à atual capela principal.
Séculos XX e XXI – Transformações e património
No século XX, a Lixa viveu tempos de crescimento e evolução. Em 1933, foi elevada a vila, e após várias décadas tornou-se cidade em 1995.
A cidade também é reconhecida pela sua história ferroviária e termal. O sanatório do Seixoso, iniciativa do médico António Manuel Cerqueira Magro, foi o primeiro sanatório particular em Portugal e destacou-se como centro de repouso e saúde ainda no início do século XX. Cerqueira Magro foi também o impulsionador do Caminho de Ferro de Penafiel à Lixa, inaugurado oficialmente em 1913, que contribuiu para o desenvolvimento económico e mobilidade regional, embora esteja hoje desativado.
Personalidades ilustres
A Lixa viu nascer várias figuras de destaque nas áreas da cultura, política, saúde e artes, entre as quais se destacam:
Cultura e tradições
A Lixa mantém viva a sua tradição cultural, com grupos como o Rancho Folclórico das Lavradeiras da Lixa, criado em 1990, que difunde a cultura e os costumes locais por diversas regiões do país.